Search

Entendendo a Biofilia

Updated: Jun 17


Por Andréa de Paiva


Quando estamos cansados e resolvemos tirar uns dias para relaxar em algum lugar, para onde vamos? Em geral, para fugir do caos e stress urbanos as pessoas optam por fugir para a praia ou para o campo... por quê?

Fonte: CCO Creative Commons

Nosso cérebro foi programado para viver na natureza [1]. E o contato com ela traz diversos benefícios para nossa saúde. Mas, se passamos a maior parte da nossa vida em cidades, por que o nosso cérebro ainda é programado pra viver na natureza?


Quando o Homo Sapiens surgiu há mais de 100 mil anos atrás, ainda não havia uma organização espacial dos grupos em vilarejos ou cidades. Apenas com a Revolução Neolítica, que aconteceu há aproximadamente 12 mil anos atrás é que os grupos começaram a deixar de ser nômades e se organizar por conta dos benefícios trazidos pela agricultura. Ou seja, o homo sapiens passou em torno de 90 mil anos vivendo completamente inserido na natureza para finalmente começar a construir assentamentos mais estáveis que evoluíram para vilarejos e cidades. O que podemos concluir a partir disso, é que a vida em centros urbanos ainda é muito recente e nosso cérebro não está adaptado a ela [2].

Sendo assim, psicólogos e neurocientistas já pesquisam há alguns anos quais os benefícios que o contato com a natureza pode trazer. E, por outro lado, quais os problemas que surgem quando somos privados do contato com a natureza, como acontece hoje nos grandes centros urbanos, nos quais alguns dos espaços de lazer mais utilizados são shoppings fechados, salas de cinema e mesmo a sala na nossa própria casa [3].


Será que doenças da modernidade como depressão, ansiedade e síndrome do pânico não podem estar atingindo tantas pessoas por conta da ausência da natureza na vida delas? Será que o uso de substâncias como metilfenidato (Ritalina), fluoxetina (Prozac) e alprazolam (Frontal) é a melhor forma de tratar tais problemas? Qual o papel de arquitetos e urbanistas nisso tudo?


A relação entre NeuroArquitetura e Biofilia é muito ampla e não se esgota no que discutimos aqui. Em breve continuaremos a discutir esse assunto que é fundamental para o planejamento de espaços!


Pra quem quiser já ler um pouco mais sobre isso:

Um cérebro doente na selva de pedras

Cidades Doentes


Quer saber mais sobre o tema? Siga a gente no Facebook ou Instagram! =)



Referências:


[1] WILSON, E. (1984). Biophilia. Cambridge: Harvard University Press. ISBN 0-674-07442-4.

[2] WILSON, E., KELLERT, S. (1995). "The Biophilia Hypothesis". Nova York: Shearwater Press.

[3] KELLERT, S., HEERWAGEN, J., MADOR M. (2008). "Biophilic Design: The Theory, Science and Practice of Bringing Buildings to Life". Nova York: Wiley.

[4] SALINGAROS, N. (2015) Biophilia & Healing Environments Healthy Principles for Designing the Built World. Terrapin Bright Green.


  • Instagram - White Circle
  • Facebook - Círculo Branco
  • YouTube - Círculo Branco
  • LinkedIn - Círculo Branco

© 2018 by Andréa de Paiva