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Princípios da NeuroArquitetura e do NeuroUrbanismo

Updated: Jun 17


Por Andréa de Paiva


1 - A NeuroArquitetura, assim como o NeuroUrbanismo, se define como a aplicação da neurociência aos espaços construídos, visando a maior compreensão dos impactos da arquitetura sobre o cérebro e os comportamentos humanos.



2 - A NeuroArquitetura possui um caráter interdisciplinar e, ao incorporar elementos da neurociência aplicada, estabelece interfaces ricas com outros campos do conhecimento que, originalmente, não mantinham amplo diálogo com a arquitetura e o urbanismo tradicionais. Sendo assim, a NeuroArquitetura amplia o campo de pesquisas sobre a relação entre o ambiente construído e seus usuários, potencializando a compreensão de diversas mensagens que esse ambiente transmite, inclusive no que se refere a níveis menos conscientes de percepção.

3 - A NeuroArquitetura pode ser estudada em diferentes níveis, variando desde o molecular e o celular até o dos sistemas e do comportamento, sempre buscando compreender como o ambiente físico impacta os indivíduos. Por exemplo, através da liberação de substâncias químicas como hormônios e neurotransmissores, da expressão gênica, da plasticidade cerebral ou da alteração dos estados mentais, das emoções e dos comportamentos. Algumas das áreas mais estudadas dentro da NeuroArquitetura e do NeuroUrbanismo são: wayfinding e memória, iluminação, percepção e biofilia.

4 - A aplicação da neurociência à arquitetura ou a qualquer outra área deve ser feita com cautela. O cérebro e seus mecanismos são  extremamente complexos e a fronteira do conhecimento nessa área está em constante avanço. Se não se mantiver constantemente atualizado, utilizando fontes de informação confiáveis, o NeuroArquiteto poderá ser levado a conclusões questionáveis.

Princípios da NeuroArquitetura

5 - A NeuroArquitetura pressupõe que o ambiente tem influência direta nos padrões mais primitivos de funcionamento do cérebro, que fogem da percepção consciente. A aplicação da NeuroArquitetura consiste em buscar criar ambientes que possam estimular ou inibir alguns desses determinados padrões, a depender da função do espaço em questão.  Nesse sentido, arquitetos que utilizam a neurociência aplicada podem projetar com o objetivo explícito de afetar comportamentos humanos, mesmo os que estão além da percepção e do controle conscientes.

6 - É fundamental levar em consideração princípios éticos ao projetar utilizando a neurociência aplicada, tendo em vista que o ambiente construído pode influenciar seus usuários sem que estes se deem conta. Esses elementos éticos são de grande relevância em todas as áreas de aplicação da neurociência.

7 - Do ponto de vista prático, a NeuroArquitetura pode e deve ser utilizada para tornar a ação humana mais efetiva e, acima de tudo, para criar espaços mais saudáveis no curto e no longo prazo. Assim, o princípio maior da NeuroArquitetura deve ser “eficiência com qualidade de vida e bem-estar pessoal”. Tudo isso por meio da concepção e da utilização estratégica do espaço.

8 - A neurociência revela diversos padrões de funcionamento do cérebro, mas ainda assim as pessoas são únicas por conta das influências genéticas, culturais e da experiência individual. Nesse sentido, a compreensão do público alvo que utilizará os ambientes projetados é fundamental para o sucesso da aplicação de NeuroArquitetura.

9 - A NeuroArquitetura não deve ser aplicada de forma semelhante em diferente tipos de ambiente. Cada ambiente tem uma função específica e deve ter características para estimular comportamentos específicos, tais como criatividade, concentração, aprendizado e memorização, socialização, relaxamento, envolvimento, respeito, etc.


10 - A NeuroArquitetura não consiste na criação de regras específicas que devam ser seguidas por arquitetos ao projetarem. Ela consiste em um conjunto de conceitos envolvendo diferentes propriedades do cérebro que podem ser impactadas por determinadas características do ambiente. Cabe aos arquitetos e urbanistas escolher o que aplicar e quando/onde aplicar.


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